
Às vésperas de mais uma prova dos 500 km de Interlagos, nunca é demais recordar aquela que é a maior prova da história do evento. Em 3 de setembro de 1972, foi realizada a 13ª edição, no anel externo do Autódromo de Interlagos, com a participação de um grid como jamais visto por aqui em qualquer corrida internacional.
Vieram da Europa, convidados pelos organizadores, carros como o Porsche 908/3 alinhado pelo alemão Reinhold Joest , a Ferrari 512M do suíço Herbert Müller, dois Chevron B19, um GRAC, dois protótipos Momo, dois Fiat Abarth, quatro carros vindos de Portugal e três da Argentina. Além, claro, da fina flor dos GTs e Esporte Protótipos que corriam no Brasil. Trinta carros e a garantia da melhor corrida de todos os tempos nos 500 km de Interlagos.
Os treinos mostraram de saída que o Porsche de Joest, com o chassi #008, era o carro a ser batido. O alemão fez a pole position com o incrível tempo de 52″404 (220,311 km/h de média), cabendo à Ferrari de Herbert Müller, banida do Mundial de Esporte Protótipos em 1972 mas participante da Intersérie, o segundo melhor tempo do grid - oito décimos mais lento que o Porsche. O lindíssimo e veloz Berta LR3 Tornado de Angel Monguzzi ficou com a 3ª posição do grid. E em quarto, classificou-se Luiz Pereira Bueno a bordo do Porsche 908/2 da lendária equipe Hollywood.
Em meio à velocidade estonteante dos protótipos, alguns pilotos enfrentaram contratempos: Marinho Antunes, pilotando a Lola T70 Chevrolet MK IIIB com o chassi SL #153, último a ser produzido pela marca de Huntingdon, capotou espetacularmente e seu carro rapidamente foi consumido pelas chamas. Embora não tenha sofrido nada, ele optou por abandonar o automobilismo de vez após esta flamante experiência.
Ele não foi o único a bater nos treinos: o suíço Silvio Moser, 10º colocado no treino classificatório, detonou seu Fiat Abarth numa capotagem. Piloto de passagem obscura na Fórmula 1, Moser encerrou de forma fugaz uma de suas raras aparições no Brasil. Houve ainda um terceiro piloto que não largou: Antonio Castro Prado, com problemas em sua Alfa GTA da equipe Jolly Gancia, ficou de fora. E o grid foi reduzido para 27 pilotos.
Na largada, a fortíssima Ferrari de Herbert Müller assumiu a liderança diante dos Porsches, com Joest em segundo e Luiz Pereira Bueno em terceiro, visto que o Berta de Angel Monguzzi foi para o espaço após completar somente uma volta. Por 49 voltas, o pequeno helvético sustentou a ponta aproveitando a potência do motor V12 5 litros de seu bólido vermelho. Joest assumiu momentaneamente a dianteira, mas Müller recuperou o comando até a 54ª passagem, quando a 512M começou a se ressentir da quebra de um amortecedor.
Obrigado a parar mais vezes nos boxes que seus rivais, Müller perdeu também a segunda posição para Luiz Pereira Bueno, que era o piloto brasileiro com mais chances de derrotar os estrangeiros nos 500 km de Interlagos. A maioria deles, aliás, ficou pelo meio do caminho nas 50 primeiras voltas e um deles, o argentino Rolando Nardi, que vinha em quarto atrás da Ferrari e dos dois protótipos alemães, detonou seu Berta LR Tornado, sofrendo fraturas numa das pernas.
Com vários GTs e protótipos de menor cilindrada participando da prova como meros coadjuvantes, imagino que não deve ter sido fácil para Joest conservar a ponta costurando tantos retardatários. Entre os coadjuvantes, destacaram-se a Alfa Romeo T33/3 alinhada pela Jolly Gancia para Marivaldo Fernandes, o espetacular Fúria com motor Lamborghini V12 guiado por Jaime Silva, os outros carros da Hollywood - o Porsche 910 de Clóvis Ferreira e a Lola T210 de Tite Catapani, além do veloz e surpreendente Avallone Ford da Greco, com Nílson Clemente.
Entre os outros pilotos que vieram de fora, o suíço Paul Blancpain, que mais tarde fixaria residência no Brasil, mostrou qualidades e fez uma boa apresentação. Os portugueses, com dois carros pertencentes a Carlos Santos e outros dois ao Team Palma, também não fizeram feio e conseguiram terminar entre os dez primeiros.
Ao fim de 156 voltas e 2h25min57s627 (média de 205,655 km/h - a mais alta da história), Reinhold Joest recebeu a quadriculada numa tarde ensolarada em Interlagos, com uma volta de vantagem para Luiz Pereira Bueno e três sobre Herbert Müller. Lamentavelmente, esta prova significou também o início de um longo e triste período sem qualquer carro importado riscando o asfalto das pistas brasileiras. A importação de carros de competição foi proibida a partir de 1973 e tivemos que esperar por longos 16 anos até que um Porsche 944 e um Mercedes 190E alinhados por uma equipe do Rio de Janeiro viessem competir por aqui.
Mas isso é outra história.
Os treinos mostraram de saída que o Porsche de Joest, com o chassi #008, era o carro a ser batido. O alemão fez a pole position com o incrível tempo de 52″404 (220,311 km/h de média), cabendo à Ferrari de Herbert Müller, banida do Mundial de Esporte Protótipos em 1972 mas participante da Intersérie, o segundo melhor tempo do grid - oito décimos mais lento que o Porsche. O lindíssimo e veloz Berta LR3 Tornado de Angel Monguzzi ficou com a 3ª posição do grid. E em quarto, classificou-se Luiz Pereira Bueno a bordo do Porsche 908/2 da lendária equipe Hollywood.
Em meio à velocidade estonteante dos protótipos, alguns pilotos enfrentaram contratempos: Marinho Antunes, pilotando a Lola T70 Chevrolet MK IIIB com o chassi SL #153, último a ser produzido pela marca de Huntingdon, capotou espetacularmente e seu carro rapidamente foi consumido pelas chamas. Embora não tenha sofrido nada, ele optou por abandonar o automobilismo de vez após esta flamante experiência.
Ele não foi o único a bater nos treinos: o suíço Silvio Moser, 10º colocado no treino classificatório, detonou seu Fiat Abarth numa capotagem. Piloto de passagem obscura na Fórmula 1, Moser encerrou de forma fugaz uma de suas raras aparições no Brasil. Houve ainda um terceiro piloto que não largou: Antonio Castro Prado, com problemas em sua Alfa GTA da equipe Jolly Gancia, ficou de fora. E o grid foi reduzido para 27 pilotos.
Na largada, a fortíssima Ferrari de Herbert Müller assumiu a liderança diante dos Porsches, com Joest em segundo e Luiz Pereira Bueno em terceiro, visto que o Berta de Angel Monguzzi foi para o espaço após completar somente uma volta. Por 49 voltas, o pequeno helvético sustentou a ponta aproveitando a potência do motor V12 5 litros de seu bólido vermelho. Joest assumiu momentaneamente a dianteira, mas Müller recuperou o comando até a 54ª passagem, quando a 512M começou a se ressentir da quebra de um amortecedor.
Obrigado a parar mais vezes nos boxes que seus rivais, Müller perdeu também a segunda posição para Luiz Pereira Bueno, que era o piloto brasileiro com mais chances de derrotar os estrangeiros nos 500 km de Interlagos. A maioria deles, aliás, ficou pelo meio do caminho nas 50 primeiras voltas e um deles, o argentino Rolando Nardi, que vinha em quarto atrás da Ferrari e dos dois protótipos alemães, detonou seu Berta LR Tornado, sofrendo fraturas numa das pernas.
Com vários GTs e protótipos de menor cilindrada participando da prova como meros coadjuvantes, imagino que não deve ter sido fácil para Joest conservar a ponta costurando tantos retardatários. Entre os coadjuvantes, destacaram-se a Alfa Romeo T33/3 alinhada pela Jolly Gancia para Marivaldo Fernandes, o espetacular Fúria com motor Lamborghini V12 guiado por Jaime Silva, os outros carros da Hollywood - o Porsche 910 de Clóvis Ferreira e a Lola T210 de Tite Catapani, além do veloz e surpreendente Avallone Ford da Greco, com Nílson Clemente.
Entre os outros pilotos que vieram de fora, o suíço Paul Blancpain, que mais tarde fixaria residência no Brasil, mostrou qualidades e fez uma boa apresentação. Os portugueses, com dois carros pertencentes a Carlos Santos e outros dois ao Team Palma, também não fizeram feio e conseguiram terminar entre os dez primeiros.
Ao fim de 156 voltas e 2h25min57s627 (média de 205,655 km/h - a mais alta da história), Reinhold Joest recebeu a quadriculada numa tarde ensolarada em Interlagos, com uma volta de vantagem para Luiz Pereira Bueno e três sobre Herbert Müller. Lamentavelmente, esta prova significou também o início de um longo e triste período sem qualquer carro importado riscando o asfalto das pistas brasileiras. A importação de carros de competição foi proibida a partir de 1973 e tivemos que esperar por longos 16 anos até que um Porsche 944 e um Mercedes 190E alinhados por uma equipe do Rio de Janeiro viessem competir por aqui.
Mas isso é outra história.
(Publicado originalmente no AMILPORHORA)





